SEJAM BEM-VINDOS

SEJAM BEM-VINDOS
MARE QUIDEM COMMUNE CERTO EST OMNIBUS.

domingo, 13 de março de 2011

BARCOS TRADICIONAIS PORTUGUESES


DO NORTE DE PORTUGAL:



Barquinho do Rio Minho:

Embarcação muito utilizada no transporte de passageiros entre margens
Podia levar de 20 a 30 passageiros ou carga variada como vinho ou areia
Por vezes era também usada na faina da pesca
Podia envergar uma vela quadrada ou de espicha apesar do sistema principal de propulsão ser por meio de vara
De fundo chato e sem quilha tem a particularidade de não ser construída em estaleiro mas sob os telheiros da lavoura junto à margem do rio.


Maceira:
O nome quase diz tudo sobre esta embarcação de Vila Praia de Âncora
Uma caixa de madeira, semelhante com as masseiras de amassar o pão
Um aparelho muito simples formado por um pequeno mastro à vante cruzando verga de latina bastarda
A tripulação de 2 homens era o suficiente para este barco que variava entre os 2,60 e os 4,70 metros
Destinava-se tanto à pesca do alto como à costeira e à de rio.




Barco Rabelo:
Este barco tradicional é uma das mais conhecidas e típicas embarcações portuguesas
Destinava-se ao transporte de pipas de vinho pelo Douro até às caves de Gaia, chegando, as de maior porte, a atingir a capacidade para transportar 100 pipas
Não tem quilha e é de fundo chato
Sensivelmente a meio e para a ré elevam-se as apegadas, o castelo onde é manejada a espadela, um remo longo que governa a embarcação
Arma uma vela quadrada e é tripulada normalmente por 6 ou 7 homens
Estas embarcações tem de comprimentos entre 19 e 23 metros e hoje ainda as podemos ver em algumas regatas ou fundeadas nas zonas ribeirinhas da Porto e de Gaia.



Barco Valboeiro com Camareta:
Esta curiosa embarcação da zona de Valbom podia navegar tanto no rio como no mar
Apesar de serem usadas na pesca também faziam transporte de mercadorias e passageiros entre margens
Para protecção e conforto dos passageiros utilizavam um pequeno abrigo denominado de camareta
Conforme a sua utilização quanto à carga chamavam-nos de barco das padeiras e barco das toucinheiras
Uma tripulação de 2 a 3 homens era o suficiente para governar esta embarcação de cerca 18 metros. Armavam uma pequena vela de carangueja num mastro bem a vante e tal como os Rabelos tinham um remo de pá longo em vez de leme.



Barco de Avintes:
Tal como o Barco Valboeiro também estes barcos, que navegavam no Douro, eram classificados quanto à carga que transportavam (barco das padeiras ou barco das toucinheiras)
Tinham um toldo de protecção e uns bancos para os passageiros
Media entre 17 e 18 metros e armava uma vela de pendão num mastro a vante
Dois a três homens governavam a embarcação que tinha uma pá longa em vez de leme.



Lancha Poveira:
A Lancha Poveira é só um tipo de barco
A Lancha grande destinava-se exclusivamente à pesca da pescada, o batel e a lancha pequena usava-se na pesca à sardinha, a catraia grande na pesca do alto e da raia, a catraia pequena na pesca da sardinha e espinel e o caíco na pesca da faneca
Consoante o tipo de barco podia ir dos 4 a 5 metros, como o caíco até aos 13 ou 14 metros da lancha grande
O mastro, que se podia desarmar, inclinava para a ré e podia armar uma vela trapezoidal que era caçada à ré
Tinha ainda 4 a 5 remos por banda.



Barco Moliceiro:
Felizmente ainda podemos encontrar esta embarcação de ascendência fenícia a navegar na Ria de Aveiro
Destinada à colheita e transporte do moliço, servia também para transporte de carga e de gado
O costado muito baixo facilita a recolha do moliço o seu calado mínimo permite percorrer os diversos canais da ria
Além da vela usava como método de propulsão a sirga e a vara sendo dirigido por um grande leme manejado por meio de gualdropes passados nos extremos de uma vara que atravessa a meio daquele
Diferentes de embarcação para embarcação são as típicas pinturas à proa e à ré, sempre muito coloridas e com temas populares
Anualmente ainda se conseguem reunir mais de vinte embarcações numa regata pela ria.



Barco de Ílhavo:
De cor totalmente negra e sem decoração esta embarcação de Ílhavo é parecida com o Moliceiro
Tem um comprimento entre os 14 e 15 metros e é normalmente tripulada por três ou quatro homens
Além do moliço, é empregue em trabalhos na ria e na pesca
O leme e a propulsão com vela e vara assemelham ainda mais este barco com o Moliceiro.



Rasca de Pesca:
Esta embarcação de borda alta e convés corrido aparelhava com quatro velas latinas - traquete, vela grande, vela de proa e catita
Este aparelho complexo obrigava a uma numerosa tripulação, mas tornava o barco extremamente veleiro e belo
Usada na pesca, sobretudo na Figueira da Foz e Ericeira, foi caindo em desuso até acabar como simples embarcação de carga.



Barco da Pescada:
Esta embarcação de Buarcos e Figueira da Foz era usada exclusivamente na pesca da pescada
Ambos os mastros com acentuada inclinação a vante tinham alturas diferentes e armavam panos latinos triangulares
A manobra do leme era idêntica à do Moliceiro e Barco de Ílhavo.



Bateira da Figueira da Foz:
O tipo geral da bateira ou muleta é o de uma embarcação de pesca de rio e mar
Possui uma proa de curvatura bem definida e ré coberta
O mastro fixado no banco da proa está ligeiramente inclinado para ré, armando um longo pano latino triangular
A tripulação varia entre quatro a seis homens que fazem uso dos dois remos por bordo.



Galeão:
Embarcação da Nazaré utilizada no cerco americano
Tem 10 metros de comprimento e uma capacidade de cerca de nove toneladas de porte
O seu casco alongado e corrido com uma proa arredondada e encimada por uma borla ou cabeleira, realçam a sua elegância
No convés existem seis bancos e duas a três escotilhas que acedem aos porões de peixe
Para propulsão tem além de uma grande vela triangular, três remos por bordo.

DO CENTRO DE PORTUGAL:


Lancha da Sardinha
Embarcação de Peniche destinada essencialmente à pesca da sardinha
O casco é muito elegante e alongado, boca pequena, popa de painel armando lema de cana, semelhante ao das fragatas do Tejo
Arma um mastro um pouco avançado sobre a proa cruzando um latino bastardo
A sua tripulação varia entre os 12 e os 14 homens


Traineira de Peniche
Embarcação ligeira de arrasto com pouco calado sem coberta
O mastro bastante corrido a vante armava vela bastarda
Quase sem quilha possuía um leme muito longo por fora
Os quatro ou cinco remos por borda ajudavam durante a faina a manobra de manter a embarcação atravessada às vagas
Era tripulada por 12 a 14 homens



Barca da Ericeira
Esta embarcação é destinada à pesca
De forma alongada, boca aberta e pouca quilha tem o leme por fora
O mastro, fixado no banco de proa e com acentuada inclinação para vante, arma uma latina bastarda
Possui normalmente três ou quatro remos por bordo e a tripulação oscila entre os 10 e 12 homens




Caíque de Traquete
Estes caíques de Cascais eram embarcações oriundas do Algarve
Tipicamente portuguesas são por muitos tidos como sucessores das caravelas henriquinas. Com formas alongadas e muito elegantes, armavam habitualmente duas velas bastardas em dois mastros divergentes
Podiam montar dois remos por banda
O comprimento era normalmente de 18 a 19 metros com uma tripulação de 15 a 20 homens




Canoa Caçadeira
Estas embarcações tipicamente portuguesas eram também conhecidas por canoas do alto ou caçadeiras
Existiam em quase todos os centros de pesca do país, embora com maior relevância para sul do Cabo da Roca e costa algarvia
Como a da figura, da zona de Cascais, tinha muita quilha à ré, proa arredondada e popa de painel
Normalmente armavam dois latinos bastardos em mastros assimétricos com acentuada inclinação para vante e ré
Podia ainda usar três a quatro remos por bordo



Muleta de Arrasto
Esta embarcação de pesca de Cascais impressiona pelo seu tipo de velame
Além dos panos de navegação, quando em faina de pesca usava mais seis velas suplementares
Tem a particularidade de fazer o arrasto pelo través
De convés corrido, fundo chato e pouca quilha, o seu comprimento andava entre os 12 e 13 metros com uma tripulação de 11 a 12 homens
Possuía normalmente três remos por banda ficando os remadores virados para a proa



Canoa da Picada
Estas embarcações, usadas em Cascais e Sesimbra, usavam-se na pesca da sardinha a bordo da qual picavam (salgavam) a sardinha
Extremamente elegantes, de convés corrido, gaiuta a ré e uma ou duas escotilhas centrais de acesso aos interiores
A sua grande quilha aumentava progressivamente para ré com o leme montado por dentro
Armava uma latina bastarda no mastro da proa e uma pequena de mezena
Veleiro muito rápido e navegável, recebeu a designação de picada da sardinha que era salgada a bordo
Era frequente disputarem-se regatas desportivas entre canoas da picada



Barca da Pesca do Alto
Esta embarcação de Sesimbra servia na pesca entre o Cabo da Roca e São Vicente e tinha o casco corrido e alongado
Armava normalmente duas velas de espicha
Durante a faina da pesca recolhiam-se os mastros sobre os bancos e usavam-se os remos, dois a três por bordo


Lancha do Alto
Elegante embarcação de Setúbal da pesca do alto, com a configuração de palhabote, gurupés e pequeno pau de pica-peixe
O casco era corrido, de boca larga, com uma gaiuta para a ré e uma ou duas escotilhas centrais de acesso ao porão de peixe
Possuía muita quilha e armava dois mastros simétricos, com ligeira inclinação para ré, duas velas de carangueja e dois estais amurados no gurupés.



Fragata
É com certeza a embarcação mais emblemática do rio Tejo
Embarcação de certo porte, bojudo e pesado, media entre 20 e 25 metros de comprimento
Armava estai e vela grande de carangueja içada junto ao mastro com acentuada inclinação para ré
Tinha duas câmaras, uma à proa e outra à ré, decoradas nas anteparas
Um pequeno bote era levado a reboque o qual servia para rebocar a fragata à força de remos nos momentos de calmaria
A sua tripulação era apenas de três homens



Varino (1880)
Embarcação de carga dos finais do século passado
Extremamente elegante e belamente decorado, era descendente da enviada que os ílhavos deixaram no Tejo
Tinha o aspecto de uma grande bateira de duas proas, com a de vante muito acentuada e dentada encimada por uma cabeleira ou borla
Armava um estai e pano latino num mastro muito inclinado para trás



Varino
O seu nome parece ter origem nos "ovarinos", embarcações de Ovar
Embarcação de carga muito típica do Tejo
Tal como a fragata também era de casco bojudo, mas mais elegante e sem quilha
Aparelhava uma ou duas velas de estai substituindo o latino triangular por um quadrangular num mastro inclinado para a ré
Possuía duas cobertas com anteparas, porão com paneiros e ainda bordas falsas para um melhor acondicionamento da carga



Batel do Tejo
Embarcação do princípio do século e típica do Tejo, de convés corrido, proa dentada e popa inclinada onde fixava um leme de charolo
Umas espadelas laterais ajudavam nas manobras
O mastro, acentuadamente inclinado para vante, armava um grande latino bastardo
Possuía também um pequeno estai amurado num gurupés
Era normalmente usado na pesca e no transporte de pessoas e carga entre as duas margens do rio



Falua com Vela Latina
Esta embarcação era da família dos varinos
Normalmente era empregue no transporte de pessoas entre as duas margens do rio Tejo, mas também se utilizava no transporte de cargas ligeiras para abastecimentos dos mercados lisboetas
Um grande latino bastardo cruzava um mastro ligeiramente inclinado para ré e um pequeno estai amurava num gurupés
Media entre 15 e 16 metros de comprido e tinha uma tripulação de dois a três homens






Falua

Da família dos varinos e fragatas a falua transportava normalmente carga e passageiros entre as duas margens do Tejo
Existiam faluas de um e dois mastros que armavam latinos bastardos como os caíques
Esta embarcação muito rápida e veleira media aproximadamente entre 14 e 15 metros de comprimento e tinha uma tripulação de dois ou três homens


Cangueiro
Embarcação muito semelhante à fragata do Tejo, mas com uma proa mais arredondada para maior protecção do embate das ondas durante o embarque ou desembarque
Transportava normalmente cargas pesada, como areia e pedra para a construção civil
Possuía um bote de apoio, que ajudava à manobra por meio dos remos
Em águas pouco profundas a tripulação ajudava nas manobras impulsionando o barco com grandes varas, correndo as bordas de proa à popa ou vice-versa




Bote do Pinho
Esta bela e muito bem decorada embarcação, da família dos varinos, tinha uma característica específica
Era quase exclusivamente empregue no transporte de ramagem de pinho, que da margem sul chegava, para abastecimento dos muitos fornos dos padeiros de Lisboa
Armava uma longa vela latina triangular cruzada num mastro curto muito deslocado à proa
Possuía duas pequenas câmaras à popa e à proa
Umas bordas falsas permitiam um melhor acondicionamento da carga
Media entre 14 e 15 metros de comprimento e tinha uma tripulação entre 2 e 4 homens




Bote Cacilheiro
Embarcação do Tejo de casco semelhante à fragata mas de menor porte
Tinha a particularidade de a roda de proa estabelecer concordância com a quilha
Armava em geral um grande latino bastardo, existindo no entanto alguns que tinham uma vela de estai e um latino quadrangular
Normalmente media entre nove e dez metros de comprimento e a sua tripulação era composta por dois ou três homens



Canoa Cacilheira
Embarcação muito semelhante à fragata mas de menor porte e dimensões
A sua função principal era o transporte de cargas e o transbordo de mercadorias entre navios ancorados no Tejo e terra
Armava uma vela de carangueja e uma vela de estai amurada numa vara com funções de gurupés
Media entre 11 e 12 metros de comprimento



Barco de Riba-Tejo
Inicialmente era utilizada na pesca, mas gradualmente serviu como embarcação de carga e cabotagem ao longo das povoações ribeirinhas
O casco lembra a muleta do seixal, com a proa muito pronunciada e dentada
O mastro muito inclinado para a proa armava um longo latino bastardo
As espadelas laterais ajudavam muito nas manobras e navegação nos canais e esteiros do rio Tejo
De notar o leme do tipo das embarcações de Ílhavo




Praieira


Embarcação do tipo bateira, de proa bastante desenvolvida, fundo chato e convés corrido
O seu grande leme de pá, desmontável, é um precioso auxiliar da navegação dos esteios e canais do Tejo
À ré possui um resguardo encerado para guarda de vários utensílios e descanso da tripulação, que variava entre dois e três homens
Arma uma vela de espicha e um pequeno estai


Muleta do Seixal
A muleta de pesca, pela sua forma original pitoresca é certamente a embarcação regional portuguesa mais conhecida em todo o mundo
Era usada unicamente pelos pescadores do Seixal, Barreiro e Cascais na arte da tarantanha, uma arte de arrasto pelo través
A muleta apresentava fundo largo e chato, proa dentada excessivamente boleada e popa inclinada
O aparelho da muleta era composto por um mastro muito inclinado para vante, onde içava a verga, uma grande vela latina triangular e dois batelós (paus compridos) deitados pela popa e proa que serviam para amurar e caçar as outras velas e, ao mesmo tempo, para nas extremidades amarrarem os cabos que seguravam a rede da tarantanha


DO SUL DE PORTUGAL:


Caíque do Algarve
Embarcação típica do sotavento algarvio (entre a Faro e Vila Real de Santo António) de extraordinárias qualidades náuticas
Existe quem defenda que o caíque é herdeiro das caravelas dos descobrimentos
Os dois mastros divergentes e as duas grandes velas latinas são uma das suas características
Possui convés corrido com uma gaiuta a ré e uma ou duas escotilhas de acesso aos interiores
Media de 15 a 20 metros de comprimento e tinha uma numerosa tripulação que podia ir até 30 homens
Há notícia de terem navegado até ao Brasil e sul de Angola
Como curiosidade refira-se que, quando a tripulação estava em terra, eram guardados por dois cães-de-água.



 Canoa do Espinel
Esta embarcação de Olhão era destinada à pesca da arte do espinel
Nem sempre eram usadas na arte e por vezes faziam transporte da pescaria entre Portos
Tinha boca aberta e coberta corrida com leme de cana por fora
Tal como o caíque armava dois panos latinos em mastros divergentes.



Enviada da Arte da Chávega
Esta embarcação de Monte Gordo é do tipo canoa com a tolda corrida
A roda de proa é ligeiramente curva encimando o capelo a tradicional borla
Não era empregue somente na arte e fazia o transporte da pescaria entre os barcos do largo e terra, daí o nome enviada
Possui normalmente quatro remos, dois por bordo, para uma tripulação que oscilava entre os seis ou oito homens.



Enviado do Atum
É uma bela e elegante embarcação de Vila Real de Santo António
Usada na pesca do atum, possui um casco de quilha de forma alongada e uma ré cortada em painel que suporta um leme muito inclinado para trás
Tem dois mastros divergentes com panos latinos, estai que amura em vara de gurupés, armando a mezena uma vela de espicha
Apresenta dois a três remos por bordo e nome de enviado advém do facto de também fazer transporte da pescaria entre embarcações do largo e terra.

DAS ILHAS DOS AÇORES E MADEIRA:

Baleeira do Pico (Açores)
Embarcação usada nas ilhas do Pico e Faial na caça à baleia.
Durante Semana do Mar, festas que se realizam no Faial na primeira semana de Agosto, ainda é possível admirar alguns exemplares.
Arma uma pequena vela latina de carangueja apoiada no mastro bem a vante e um pequeno estai latino.
Na ocasião da perseguição à baleia as velas são arreadas e parte da tripulação faz uso dos 6 remos (3 por bordo) enquanto o arpoador vai em pé à proa.


Barco da Pesca do Carapau (Açores)
Embarcação de boca aberta com a proa e popa muito semelhantes.
Assemelha-se a uma grande baleeira com a sua boca aberta e convés corrido.
Dois mastros, o de vante, mais curto, arma uma vela latina triangular.
A sua tripulação varia de 8 a 10 homens que podem fazer uso dos 4 remos (dois por bordo)
À proa uma malagueta saliente e roldana de esforço facilitam a recolha do pescado.


Baleeira da Câmara de Lobos (Madeira)
Embarcação de convés corrido e de configuração ligeiramente curva.
Com a proa e popa muito semelhantes, o leme acompanha a curvatura da roda de popa.
O mastro é fixado bastante à vante e a vela de pendão.
Depois das baleias escassearem nas águas continentais, ainda se continuou a sua caça na Madeira e Açores.

sábado, 12 de março de 2011

FIGURAS DE PROA OU CARRANCAS


A primeira expressão de testa-de-ferro aparece associada ao aríete, uma máquina de guerra inventada pelos romanos que servia para arrombar portas de fortalezas, esta máquina era constituída por um forte tronco de freixo com uma testa de ferro ou de bronze que tinha geralmente a forma da cabeça de um carneiro. O nome aríete vem do latim “ariete” que significa carneiro. Nos navios de guerra da antiguidade também se usavam estas testas de ferro, em esporões que eram colocados nas proas das trirremes e que tinham como propósito arrombarem os navios adversários na altura da colisão.


A “carranca”, “figura de proa” ou “leão de barca” é uma figura decorativa esculpida em madeira, frequentemente com formas femininas ou animais, que se usou na proa os navios entre os séculos XVI e XIX sob o mastro do gurupés e da vela da bujarrona. A prática foi introduzida com os galeões do século XVI apesar de anteriormente a isso, alguns tipos de navios terem alguma espécie de decoração ou ornamentação da proa.


Tal como a decoração da popa, a carranca tinha por objectivo indicar o nome da embarcação a uma sociedade iletrada, como era a de 1500, para além de demonstrar a riqueza e o poder do armador. No auge do período Barroco, alguns navios ostentavam figuras de proa gigantescas que pesavam algumas toneladas e chegavam a ter réplicas em ambos os lados do casco.


Uma figura enorme, esculpida em madeira maciça e cravada no topo da proa, prejudicava as qualidades de flutuabilidade do barco. Este facto, aliado ao custo fez com que as carrancas fossem feitas significativamente mais pequenas durante o Séc.XVIII, caindo em desuso por volta de 1800.



Depois das guerras Napoleónicas, houve um período de revivalismo desta forma decorativa mas as figuras eram elaboradas apenas da cintura para cima, em lugar das esculturas completas e maciças usadas anteriormente.


Os Clippers das décadas de 1850 e 60 tinham figuras completas mas estas eram relativamente pequenas e leves. As figuras de proa enquanto tal desapareceram com o fim dos grandes veleiros. 


Os primeiros navios a vapor, no entanto, eram decorados com frisos dourados ou escudos de armas nas suas proas. Esta prática durou até próximo da I Grande Guerra.



ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA DE ESPAÇO MARÍTIMO



De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma zona económica exclusiva (ZEE) de espaço marítimo para além das suas águas territoriais, na qual têm prerrogativas na utilização dos recursos, tanto vivos como não vivos, e responsabilidade na sua gestão.
A ZEE é delimitada, em princípio, por uma linha situada a 200 milhas marítimas da costa, mas pode ter uma extensão maior, de acordo com a da plataforma continental. A ZEE separa as águas nacionais das águas internacionais.

Muitas das actuais disputas internacionais pelo controle ou soberania de ilhas remotas, rochedos ou pequenos atóis, não são necessariamente motivadas pelo controle da área superficial da ilha ou arquipélago em questão, mas pela localização estratégica destes pontos em termos geopolíticos ou à abundância de riquezas naturais (pesca, petróleo) na área marítima adjacente, que pode vir a compor uma grande Zona Económica Exclusiva.

Actualmente a Antárctida é o único continente onde não existem ZEEs, pois o continente está protegido da exploração económica predatória exclusiva devido ao Tratado Antárctico. Entretanto, há diversas reivindicações territoriais na Antárctida que implicaria em possíveis ZEEs ao redor do continente, mas estas disputas estão congeladas devido à vigência do tratado.
Segundo o Jornal de Defesa e Relações Internacionais (edição de 30 de Setembro de 2003), a ZEE portuguesa tem 1 727 408 km2 de extensão geográfica, o que corresponde a 1,25% de toda a área oceânica sob jurisdição de países.

Com este acréscimo,  Portugal passará a ter um área total de 3 027 408 km² (14,9 vezes a área de Portugal Continental), o que fará saltar de 11.ª maior ZEE do mundo para 10.ª, imediatamente atrás do Brasil com 3 660 955 km².
A Espanha defende que a fronteira da ZEE mais a sul entre Espanha e Portugal deve consistir numa linha equidistante delimitada a meia distância entre a Madeira e as Canárias.

No entanto, Portugal é soberano das Ilhas Selvagens  (um sub-arquipélago a norte das Canárias pertencente ao arquipélago da Madeira) alargando a fronteira da ZEE mais para sul.

Espanha contrapõe com o argumento de que as Ilhas Selvagens não formam uma plataforma continental separada, de acordo com o artigo 121 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar:
"Os rochedos que, por si próprios, não se prestam à habitação humana ou a vida económica não devem ter zona económica exclusiva nem plataforma continental.
O estatuto das Ilhas Selvagens como ilhas ou rochedos é então o centro da actual disputa. Actualmente as Ilhas Selvagens constituem uma reserva natural protegida pelo Parque Natural da Madeira sempre com a presença constante de dois vigilantes da natureza e ocasionalmente com biólogos que visitam as ilhas para efectuar investigação da fauna e flora.

Ao longo dos anos estas ilhas foram palco de episódios conflituosos inclusivamente com troca de tiros, que resultaram na apreensão pelas autoridades portuguesas de alguns barcos espanhóis que pescavam ilegalmente nessa área.
Países signatários da Convenção
██ Ratificaram
██ Assinaram, mas ainda não ratificaram

sexta-feira, 11 de março de 2011

OS NAVIOS DE LINHA



O navio de linha ou nau de linha era um tipo de navio de guerra, em serviço desde o século XVII até ao fim das últimas das duas décadas do século XIX. Este tipo de navio destinava-se a ser empregue em linha de batalha - táctica naval na qual duas linhas de navios adversários manobravam de modo a poderem usar o maior número possível dos seus canhões. Como estes combates eram, normalmente, ganhos, pelos navios com maior poder de fogo - tanto em número de canhões como no seu calibre, foram construídas naus de linha cada vez maiores, que se tornaram os navios mais poderosos do seu tempo.


De observar que este tipo de navio era, normalmente, referido na Marinha Portuguesa, simplesmente como "nau", que não deve ser confundida com a nau dos Descobrimentos e do Renascimento, esta também conhecida como "nau redonda". Outras marinhas designavam os navios de linha com termos alternativos como "vaso de guerra" ou simplesmente "vaso", "navio de linha de batalha", "navio de batalha" ou simplesmente "navio".


A última grande batalha naval de navios de linha foi e de de Trafalgar. Foi uma batalha naval que ocorreu entre a França aliada com a Espanha contra a Inglaterra, em 21 de Outubro de 1805, na era napoleónica, ao largo do cabo de Trafalgar, na costa espanhola. A esquadra franco-espanhola era comandada pelo almirante Villeneuve, enquanto a inglesa era comandada pelo almirante Nelson, para muitos o maior génio em estratégia naval que já existiu. A França queria invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha, mas antes tinha que se livrar do empecilho que era a marinha inglesa.


Nalgumas marinhas, estes termos passaram a designar, no final do século XIX, os couraçados.
A partir do final da década de 1840, a introdução da propulsão a vapor levou à construção de navios de linha impulsionados a hélice, que mantinham os seus cascos em madeira. Alguns navios à vela já existentes foram, posteriormente, adaptados com a instalação deste tipo de propulsão. A introdução dos navios couraçados no final da década de 1860 levou ao rápido declínio do navio de linha.


quinta-feira, 10 de março de 2011

AS NAUS - NAVIOS TRANSOCEÂNICOS



Nau é uma denominação genérica dada a navios de grande porte até o século XV usados em viagens de grande percurso. Em vários documentos históricos a nau surge com a denominação de nave  (do latim navis), termo utilizado quase sempre entre 1211 e 1428. Opõe-se-lhe o termo embarcação, aplicado a barcos de menores proporções, utilizados em percursos pequenos.
Durante a época dos Descobrimentos, houve uma evolução dos tipos de navio utilizados. A barca, destinada à cabotagem (navegação costeira com terra à vista)  e pesca, era ainda utilizada ao tempo de Gil Eanes, quando em 1434 dobrou o Cabo Bojador, e seria sucedida pela caravela.


Concretamente, na Baixa Idade Média, mais precisamente entre o século XIII e a primeira metade do XV, as naus, ainda tecnicamente longe daquilo que seriam nos descobrimentos, serviam essencialmente para transportar mercadorias que provinham dos portos da Flandres, no norte da Europa, para a península Itálica, no mar Mediterrâneo, e vice-versa.
À época de Fernando I de Portugal as naus desenvolveram-se em termos náuticos e multiplicaram-se de forma assinalável em Portugal. Devido à pirataria que assolava a costa portuguesa e ao esforço nacional de criação de uma armada para as combater, as naus passaram a ser utilizadas também na marinha de guerra.


Nesta altura, foram introduzidas as bocas-de-fogo, que levaram à classificação das naus segundo o poder de artilharia: naus de três pontas (100 a 120 bocas) e naus de duas pontas e meia (80 bocas). A capacidade de transporte das naus também aumentou, alcançando as duzentas toneladas no século XV, e, as quinhentas, no século seguinte.
Com a passagem das navegações costeiras às oceânicas, houve necessidade de adaptar as embarcações aos novos conhecimentos náuticos e geográficos. À medida que se foi desenvolvendo o comércio marítimo e se tornou necessário aumentar a capacidade do transporte de mercadorias, armamento,  marinheiros e soldados, foram sendo modificadas as características dos navios utilizados. Surgiam então as caravelas de armada e, posteriormente, as naus.


Em 1492 Cristóvão Colombo zarpou das Ilhas Canárias rumo ao descobrimento da América com a nau Santa Maria, a caravela redonda Pinta e a caravela latina Niña. Em 1497 partiu Vasco da Gama para a Índia já com três naus e uma caravela.
De grande porte, com castelos de proa e de popa, dois, três ou quatro mastros, com duas ou três ordens de velas sobrepostas, as naus eram imponentes e de armação arredondada. Tinham velas latinas no mastro da ré. Diferentes das caravelas, galeões e galés, as naus tinham, em geral, duas cobertas.

No século XVI tinham tonelagem não inferior a 500, embora, segundo o testemunho do Padre Fernando de Oliveira, no seu livro Livro da Fábrica das Naus, em meados desse século as naus eram armadas com crescente tonelagem, chegando a ter 600 toneladas no auge da Carreira da Índia.

A tonelagem e um navio é uma medida pelo volume interior e não no seu peso, ou seja a sua capacidade de carga e flutuabilidade, chamada de “arqueação bruta”. A origem do nome vem de antigamente: os navios eram medidos pela sua capacidade em carregar tonéis padrão, vasilha para armazenagem de géneros sólidos e líquidos, que constituía o principal meio de transporte e conservação de mercadorias e alimentos a bordo dos navios de grande porte, nomeadamente nos da Carreira das Índias. A dimensão média do tonel era de 1,5m de altura por 1m de largura máxima.



terça-feira, 8 de março de 2011

O TRATADO DE METHUEN



Na sequência da assinatura do tratado de adesão de Portugal à aliança anglo-austríaca que se opunha a que os Bourbons tomassem a coroa de Espanha, foi assinado entre a Inglaterra e Portugal um tratado de natureza comercial.
Assinado em Lisboa, a 27 de Dezembro de 1703, estabelecia-se a livre entrada dos lanifícios ingleses em Portugal e uma redução nas tarifas impostas aos vinhos portugueses que entravam na Inglaterra, o que colocava os vinhos portugueses numa situação privilegiada em relação aos vinhos franceses.
Do lado português estiveram presentes, o duque de Cadaval e o marquês de Alegrete, ambos grandes proprietários vinhateiros. Do lado inglês, esteve o embaixador extraordinário John Methuen. Este tratado foi, posteriormente, ratificado pelo Parlamento inglês. Em Portugal, em Abril de 1704, foi revogada a lei "pragmática" que proibia o uso de tecidos ingleses. A partir de 1705, esta regalia estendeu-se também aos tecidos holandeses e franceses, situação que desagradou aos ingleses.
A principal consequência deste tratado foi o abandono da política de fomento industrial do conde de Ericeira.




segunda-feira, 7 de março de 2011

O TRATADO DE TORDESILHAS



O Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas a 7 de Junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal - D. João II - e o recém-formado Reino da Espanha - Fernando de Aragão e Isabel a Católica (a) - para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel, a Católica.


O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas portuguesas e as ilhas das Caraíbas descobertas por Colombo, no tratado referidas como "Cipango" e “Antília”. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha.


O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro de 1494.
Algumas décadas mais tarde, na sequência da chamada "questão das Molucas", o outro lado da Terra seria dividido, assumindo como linha de demarcação, a leste, o antemeridiano correspondente ao meridiano de Tordesilhas, pelo Tratado de Saragoça, a 22 de Abril de 1529.


No contexto das Relações Internacionais, esta sua assinatura ocorreu num momento de transição entre a hegemonia do Papado, poder até então universalista, e a afirmação do poder singular e secular dos monarcas nacionais; uma das muitas facetas da transição da Idade Média para a Idade Moderna.
Para as negociações do Tratado de Tordesilhas e a sua assinatura,  D. João II de Portugal designou como embaixador D. Rui de Sousa acompanhado pelo seu filho D. João de Sousa.


Os originais de ambos os tratados estão conservados no Archivo General de Indias na Espanha e no Arquivo da Torre do Tombo em Portugal.
Contrariando a bula anterior de Alexandre VI, Inter Coetera (1493), que atribuía à Espanha a posse das terras localizadas a partir de uma linha demarcada a 100 léguas de Cabo Verde, o novo tratado de Tordesilhas foi aprovado pelo Papa Júlio II em 1506.


O meridiano foi fixado, mas persistiam as dificuldades de execução da sua demarcação. Os cosmógrafos divergiam sobre as dimensões da Terra, sobre o ponto de partida para a contagem das léguas e sobre a própria extensão das léguas, que diferia entre os reinos de Castela e de Portugal.


Os castelhanos cederam porque esperavam, por meio da sua política de casamentos, estabelecer algum dia a união ibérica, incorporando Portugal. O mais provável é que os negociadores portugueses, na expressão de Frei Bartolomé de las Casas, frade dominicano, cronista,  teólogo, bispo de Chiapas (México) e grande defensor dos índios, considerado o primeiro sacerdote ordenado na América, escreveu que tenham os portugueses tido "mais perícia e mais experiência" que os castelhanos.



(a) - Isabel I, a Católica, Rainha de Castela e Leão, nasceu em Madrigal de Las Altas Torres em 1451 e faleceu em Medina del Campo em 1504, filha de João II de Castela e de Isabel, infanta de Portugal, neta materna de Isabel de Bragança e de João, duque da Beja: (1400-1442).