SEJAM BEM-VINDOS

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MARE QUIDEM COMMUNE CERTO EST OMNIBUS.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A CORDOARIA NACIONAL



A Cordoaria Nacional foi criada pelo Marquês de Pombal, em Junho de 1771, nos terrenos contíguos ao Forte de São João da Junqueira.
Ocupado pelo serviço de cordoaria, pinhais e matas para navios de guerra, na sequência do qual se proibiu a importação de cordoaria estrangeira. Pela extensão é notável o vão das duas grandes oficinas que ocupavam quase a totalidade longitudinal do edifício. Sendo o mais comprido da Europa, também ele concorreu para enobrecer este excelente exemplo de arquitectura industrial setecentista de cunho pombalino. Em 1826, um incêndio afectou parcialmente o edifício, que foi objecto de grandes melhoramentos ao longo do século XIX.

 LISBOA NO SÉCULO VI

quarta-feira, 23 de março de 2011

TÁBUA DE LEVAR AS ESTRELAS


"Tábuas de Levar as Estrelas"

Instrumento de observação que os chineses usavam para se orientarem através das estrelas. Tal como os europeus o método mais usado era a leitura da Estrela Polar. O instrumento em si era composto por um conjunto de 12 peças de tamanhos diferentes. Sabemos que as tábuas de levar as estrelas eram quadradas e feitas de pau-preto de excelente qualidade. A peça maior, chamada de 12 Zhi, tinha 7 cune 7 fen de lado, que equivale a 24 cm. A seguinte tinha 22 cm e assim sucessivamente decrescendo 2 cm até à peça menor, 1 Zhi.
Visar uma estrela com a Tábua

Havia ainda uma peça complementar de marfim com 2 cun de lado cortada nos cantos. O comprimento de cada um dos lados desta peça era respectivamente de 1/2, 1/8, 1/4 e 3/4 do comprimento da peça de 1 Zhi do conjunto de 12.Para usar a tábua, a mão esquerda segurava-a a meio de um dos lados, com o braço estendido, de modo a que ficasse num plano perpendicular à superfície da água. Escolhia-se entre as tábuas uma de modo a que o bordo inferior desta tangesse a linha do horizonte e o superior a estrela visada.
O número de Zhi, que estava inscrito na tábua, equivalia à altura do astro. Se com uma tábua não se conseguisse a tangência, escolhia-se uma maior ou combinava-se com a peça de marfim para se obter a medida angular. Esta combinação permitia uma precisão de meio grau.
Para se fixar a distância entre a tábua e os olhos do observador, puxava-se em direcção aos olhos um fio de comprimento fixo, ligado ao centro da face inferior da tábua. Obtinha-se assim a latitude num método muito similar ao que era usado com o kamal:

domingo, 20 de março de 2011

O CESTO DA GÁVEA



O cesto da gávea é uma das peças de madeira ou metal, de formato cilíndrico ou em fuso, que cruza o mastro da gávea ou nele se prende, com nome de verga - como as velas ali presas; da mesma forma o cesto de gávea também passou a ser chamado simplesmente de gávea.
Na gávea por ser o ponto mais elevado na embarcação, é que se construía o cesto de observação, para monitoramento nos navios onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra ou de outros navios. Geralmente com a forma de uma pequena cesta suficientemente grande para abrigar um ou poucos homens, esta peça encontrava-se no alto dos mastros ou torres próprias das caravelas ou navios. Dada a sua situação, a gávea era um lugar muito instável pois era onde se manifestava com maior intensidade a oscilação e o rolamento lateral da embarcação. Podia ser imposto como castigo a um marinheiro por ser o local mais frio e instável.
Segundo o folclore da época das grandes navegações, era do alto da gávea que um grumete ou um Gajeiro (também escrito Gageiro) gritava “Terra à vista…!” ao avistar terra firme na linha do horizonte.

"... Acima, acima gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal
"Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal..."

http://josembdouradinha.blogspot.com/2010/02/memorias.html

sábado, 19 de março de 2011

NAVEGAÇÃO OU COMÉRCIO TRIANGULAR



A partir da descoberta do continente americano por Cristóvão Colombo em 12 de Outubro de 1492, o continente foi submetido a uma exploração contínua para extracção dos recursos naturais. O povo ameríndio, “Índio”  indígena ou nativo americano que  foram sacrificados em massa, a exemplo das Antilhas - Bahamas,  Cuba,  Haiti,  Jamaica e República Dominicana - onde o extermínio foi quase completo. Assim, foi iniciada a escravidão na América latina, primeiros com os habitantes nativos, mais tarde, com os africanos trazidos para o Novo Mundo.


Com a introdução das Leis Novas - Leyes Nuevas - de Carlos V, foi proibido o tratamento de índios como bichos  (burros de carga), pelo menos na teoria, porque já não sobraram tantos indígenas, depois das várias epidemias, começaram a importar escravos de África, já que a demanda por oferta de trabalho ainda continuava a crescer. Frei Bartolomé de las Casas recomendava a escravidão dos africanos para aliviar a dura sorte dos índios.


Em 1518, a Coroa espanhola deu a primeira licença para introduzir quatro mil homens às Índias durante oito anos. Este foi o primeiro daqueles “asientos” de negros. O Asiento era a permissão, cedida pela coroa espanhola, de comercializar escravos com as colónias portuguesas, que por muito tempo foram uma lucrativa fonte de ingresso para a Europa. Além do negócio oficial, o contrabando de escravos também era feito, na maioria das vezes por piratas e comerciantes.


A princípio, o comércio foi controlado pelos portugueses, os quais já haviam exportado escravos do Congo desde 1441. Os portugueses seguiram sendo os mercadores de escravos de maior destaque até ao começo do século XVII, quando são superados pelos holandeses,  franceses e ingleses.
No ano de 1713, a British South Sea Company obteve o asiento indefinido como compensação pela Guerra da Sucessão Espanhola. Em 1789 foi permitido o livre comércio de escravos para todas as nações.
No século XVIII foi Portugal a tomar a dianteira na abolição da escravatura. Decorria o Reinado de D.José I quando, em 12 de Fevereiro de 1761, esta foi abolida pelo Marquês de Pombal no Reino e na Índia.

Marquês de Pombal - Sebastião José de Carvalho e Melo

Em Cuba, então parte do Império Espanhol, a escravidão foi legal até 1886 e, no Brasil, foi até 1888, pela Lei Áurea de D. Isabel Leopoldina, filha de D. Pedro II.
Os negreiros realizaram o chamado "comércio triangular" ou “navegação triangular”:
Transportavam rum tabaco e armas da Europa para trocar por escravos e marfim em África e depois vender os escravos na América, donde partiam com matéria-prima para Europa. Durante o tráfico negreiro, cerca de metade dos escravizados morriam durante a viagem.


Não há estatiscas exactas sobre a quantidade de vítimas da escravatura. Alguns estudos efectuados afirmam que entre os séculos XVI e XIX, um total de cem milhões de pessoas foram deportadas ou morreram durante o tráfico. Esta cifra refere-se ao tráfico total (ocidental e oriental), contando também os mortos das guerras de escravização.  
As estimativas sobre o número de escravos que foram transportados para as Américas alcançam os catorze milhões.


sexta-feira, 18 de março de 2011

CORRENTES MARÍTIMAS


Distinguem-se em geral as correntes propriamente ditas, caracterizando-se unicamente pelas suas velocidades superiores a meio nó, a salinidade, a cor, a temperatura, a sua regularidade, etc., e as derivas de velocidades inferiores, muitas vezes irregulares e mal localizadas. Bem entendido que as correntes de maré ajuntam os seus efeitos, mas são intensas sobretudo na proximidade das costas e por outro lado o seu carácter alternativo torna o seu efeito nulo numa observação de longa duração.
CARTA NÁUTICA DO SÉCULO XIV

quinta-feira, 17 de março de 2011

A NAVEGAÇÃO À VELA


O leme só tem algum efeito desde que o barco tenha andamento.



A resultante é uma soma vectorial da intensidade da corrente com a velocidade do barco.
Imaginemos que estamos a correr num dia sem vento. O vento que nesse momento sentimos na cara é o que se chama de vento aparente. É este vento, resultante do movimento e direcção de uma embarcação e da intensidade e direcção do vento real, que incide nas velas.



Note-se a as variações de direcção e intensidade.

Mareações em função da direcção do vento.


O vento pela popa aumenta as turbulências com a consequente perda de rendimento.


O ar corre mais velozmente na parte de trás da vela gerando uma diminuição de pressão. Na parte ao vento, o ar desacelera, aumentando aí a pressão e empurrando a vela.

Caça-se a vela gradualmente até deixar de bater.

E menos de uma hora, para esse mesmo percurso, apenas porque a direcção do vento é outra (admitindo a mesma intensidade do vento.

O abatimento põe-nos problemas de segurança.




ORIGEM DAS DESIGNAÇÕES:

- ESTIBORDO: Do francês estibord; do neerlandês stierboord, leme que nas embarcações do Vikings era armado a Boroeste, em Portugal Estibordo.  
Em termos náuticos, é o lado direito de quem se encontra numa embarcação, voltado para a sua proa. Os antigos navegadores quando rumavam a Sul ou a Norte, respectivamente, o lado direito da embarcação ficava a Oeste ou a Leste; ESTE+BORDO=ESTIBORDO.



- BOMBORDO: é o bordo à esquerda do rumo da embarcação que permite melhor visão, tem esse nome ou foi escolhido como sendo o "bordo bom", porque a maioria dos timoneiros são destros e ao segurarem o leme de cana, com a mão direita forçosamente sentam-se do lado bom ou seja, o lado que "vai" oferecer melhor visibilidade; contudo durante a época dos Descobrimentos portugueses, nas navegações ao longo da costa africana, rumando a Sul, o "bom bordo" variava, ou seja era o que estava do lado da terra firme, à qual era necessário aceder frequentemente em virtude de tempestades, falta de água ou de alimentos.