SEJAM BEM-VINDOS

SEJAM BEM-VINDOS
MARE QUIDEM COMMUNE CERTO EST OMNIBUS.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

MAR TEMPESTUOSO

Como quando do mar tempestuoso
o marinheiro, lasso e trabalhado,
de um naufrágio cruel já salvo a nado,
só ouvir falar nele o faz medroso,

e jura que, em que veja bonançoso
o violento mar e sossegado,
não entre nele mais, mas vai, forçado
pelo muito interesse cobiçoso;

assi, Senhora, eu, que da tormenta
de vossa vista fujo, por salvar-me,
jurando de não mais em outra ver-me:

minha alma, que de vós nunca se ausenta,
dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me
donde fugi tão perto de perder-me.
Luís Vaz de Camões




domingo, 3 de abril de 2011

LATITUDE E LONGITUDE



Determinar a latitude é simples, basta medir o ângulo entre o horizonte e a Estrela Polar com ajuda de um quadrante,  astrolábio ou sextante, mas o cálculo da longitude sempre apresentou sérios problemas, principalmente no alto mar. O cálculo da longitude, em teoria, reduz-se a medir a diferença de tempo entre um ponto de referência e a posição actual do navio. A posição do Sol indica a hora local, mas a referência de tempo não poderia ser conhecida sem relógios suficientemente precisos, que só seriam construídas a partir dos séculos XVIII e XIX.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O OCEANO ATLÂNTICO



O oceano Atlântico é o segundo maior oceano em extensão, com uma área de aproximadamente 106.200.000 km², cerca de um quinto da superfície da Terra. É o oceano que separa a Europa e a África a Leste, da América, a Oeste. O seu nome deriva de Atlas que era filho de Gaia e de Urano, divindade da mitologia grega. É por isso que às vezes o oceano Atlântico é referido como "mar de Atlas". A menção mais antiga sobre o seu nome é encontrada nas Histórias, de Heródoto, por volta de 450 a.C. 


Antes de se descobrirem outros oceanos, o termo "oceano" foi sinónimo de todas as águas que circundam a Europa Ocidental que agora é conhecido como Atlântico e que os gregos acreditavam ser um grande rio que circundava toda a Terra.
O oceano Atlântico apresenta uma forma semelhante a uma letra S. Sendo uma divisão das águas marítimas terrestres, o Atlântico é ligado ao oceano Árctico que em algumas vezes é referido como sendo apenas um mar do Atlântico; a Norte, ao oceano Pacífico, a Sudoeste, e ao oceano Índico, a Sudeste, e ao oceano Antárctico, a Sul. Alternativamente, ao invés do oceano Atlântico ligar-se com o oceano Antárctico, pode-se estabelecer a Antárctida como limite sul do oceano, sob outro ponto de vista. A linha do Equador divide o oceano em Atlântico Norte e Atlântico Sul. Com um terço das águas oceânicas mundiais, o Atlântico inclui mares como o Mediterrâneo, o mar do Norte, o Báltico e o mar das Caraíbas.

quinta-feira, 31 de março de 2011

PORTUGAL UM PAÍS MARÍTIMO



Portugal faz fronteira com um único país vizinho: A Espanha num comprimento total de 1 214 km.
A costa portuguesa Atlântica é extensa: tem 1230 km em Portugal continental, 667 km nos Açores, 250 km na Madeira onde se incluem também as Ilhas Desertas, as Ilhas Selvagens e a Ilha de Porto Santo, num total de 2147 Km.
Com a formação de cordões litorais definiu-se uma laguna, vista como um dos elementos hidrográficos mais marcantes da costa portuguesa. Portugal possuiu uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, cobrindo cerca de 1 683 000 km².


IMAGEM DE SATÉLITE

sábado, 26 de março de 2011

A ILHA DOS AMORES




O mito da Ilha dos Amores é contado por Luís de Camões, nos Cantos IX e X d'Os Lusíadas. Nestes cantos, é relatada a vontade da deusa Vénus em premiar os heróis lusitanos, com um merecido descanso e com prazeres divinos, numa ilha paradisíaca, no meio do oceano, a Ilha dos Amores. Nessa ilha maravilhosa, os marinheiros portugueses podiam encontrar todas as delícias da Natureza e as sedutoras Nereidas, divindades das águas, irmãs de Tétis, com quem se podiam alegrar em jogos amorosos. 

Durante um banquete oferecido aos Portugueses, a ninfa Sirena canta as profecias sobre a gente lusa que incluem as suas glórias futuras no Oriente. Em seguida, Tétis, a principal das ninfas, conduz Vasco da Gama ao topo de um monte "alto e divino" e mostra-lhe, de acordo com a cosmografia geocêntrica de Ptolomeu, a "máquina do mundo", uma fábrica de cristal e ouro puro, à qual apenas os deuses tinham acesso, e que se tornou também num privilégio para os Portugueses. Tétis faz a descrição da máquina do mundo e prediz feitos valorosos, prémios e fama ao povo português. Depois do descanso merecido, os Portugueses partem da ilha e regressam a Lisboa.
O mito da Ilha dos Amores, narrado por Camões, é fruto da sua imaginação, quer povoada dos lugares maravilhosos onde as suas viagens o levaram, quer influenciada pelas míticas ilhas da literatura grega ou de outras lendas árabes e indianas. A moral pagã opõe-se aqui à moral cristã, da mesma forma que os novos ventos da mudança do renascimento de inspiração grega se opõem às limitações e ao pensamento medíocre da Inquisição.
Neste episódio simbólico da Ilha do Amores, Camões tenta imortalizar os heróis lusitanos que tão grandes façanhas fizeram em nome de Portugal.


                                                                              Ó que famintos beijos na floresta,
                                                                              E que mimoso choro que soava!
                                                                              Que afagos tão suaves, que ira honesta,
                                                                              Que em risinhos alegres se tornava!
                                                                              O que mais passam na manhã, e na sesta,
                                                                              Que Vênus com prazeres inflamava,
                                                                              Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
                                                                              Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
Camões declamou Os Lusíadas à inquisição que os aprovou... 

sexta-feira, 25 de março de 2011

A CORDOARIA NACIONAL



A Cordoaria Nacional foi criada pelo Marquês de Pombal, em Junho de 1771, nos terrenos contíguos ao Forte de São João da Junqueira.
Ocupado pelo serviço de cordoaria, pinhais e matas para navios de guerra, na sequência do qual se proibiu a importação de cordoaria estrangeira. Pela extensão é notável o vão das duas grandes oficinas que ocupavam quase a totalidade longitudinal do edifício. Sendo o mais comprido da Europa, também ele concorreu para enobrecer este excelente exemplo de arquitectura industrial setecentista de cunho pombalino. Em 1826, um incêndio afectou parcialmente o edifício, que foi objecto de grandes melhoramentos ao longo do século XIX.

 LISBOA NO SÉCULO VI

quarta-feira, 23 de março de 2011

TÁBUA DE LEVAR AS ESTRELAS


"Tábuas de Levar as Estrelas"

Instrumento de observação que os chineses usavam para se orientarem através das estrelas. Tal como os europeus o método mais usado era a leitura da Estrela Polar. O instrumento em si era composto por um conjunto de 12 peças de tamanhos diferentes. Sabemos que as tábuas de levar as estrelas eram quadradas e feitas de pau-preto de excelente qualidade. A peça maior, chamada de 12 Zhi, tinha 7 cune 7 fen de lado, que equivale a 24 cm. A seguinte tinha 22 cm e assim sucessivamente decrescendo 2 cm até à peça menor, 1 Zhi.
Visar uma estrela com a Tábua

Havia ainda uma peça complementar de marfim com 2 cun de lado cortada nos cantos. O comprimento de cada um dos lados desta peça era respectivamente de 1/2, 1/8, 1/4 e 3/4 do comprimento da peça de 1 Zhi do conjunto de 12.Para usar a tábua, a mão esquerda segurava-a a meio de um dos lados, com o braço estendido, de modo a que ficasse num plano perpendicular à superfície da água. Escolhia-se entre as tábuas uma de modo a que o bordo inferior desta tangesse a linha do horizonte e o superior a estrela visada.
O número de Zhi, que estava inscrito na tábua, equivalia à altura do astro. Se com uma tábua não se conseguisse a tangência, escolhia-se uma maior ou combinava-se com a peça de marfim para se obter a medida angular. Esta combinação permitia uma precisão de meio grau.
Para se fixar a distância entre a tábua e os olhos do observador, puxava-se em direcção aos olhos um fio de comprimento fixo, ligado ao centro da face inferior da tábua. Obtinha-se assim a latitude num método muito similar ao que era usado com o kamal: