SEJAM BEM-VINDOS

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MARE QUIDEM COMMUNE CERTO EST OMNIBUS.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Era dos descobrimentos



Era dos descobrimentos ou das Grandes Navegações é a designação dada ao período da história que decorreu entre o século XV e o início do século XVII, durante o qual os europeus exploraram intensivamente o globo terrestre em busca de novas rotas de comércio. Os historiadores geralmente referem-se à "era dos descobrimentos" como as explorações marítimas pioneiras realizadas por portugueses e espanhóis entre os séculos XV e XVI, que estabeleceram relações com África, Américas e Ásia, em busca de uma rota alternativa para as "Índias", movidos pelo comércio de ouro, prata e especiarias. Estas explorações no Atlântico e Índico foram seguidas pelos países do norte da Europa, França, Inglaterra e Holanda, que exploraram as rotas comerciais portuguesas e espanholas até ao Oceano Pacífico, chegando à Austrália em 1606 e à Nova Zelândia em 1642. A exploração europeia perdurou até realizar o mapeamento global do mundo, resultando numa nova  visão do mundo e no contacto entre civilizações distantes, alcançando as fronteiras mais remotas muito mais tarde, já no século XX.
A era dos descobrimentos marcou a passagem do feudalismo da Idade Média para a Idade Moderna, com a ascensão dos estados-nação europeus. Durante este processo, os europeus encontraram e documentaram povos e terras nunca antes vistas. Juntamente com o Renascimento e a ascensão do Humanismo, foi um importante motor para o início da modernidade, estimulando a pesquisa científica e intelectual. A expansão europeia no exterior levou ao surgimento dos impérios coloniais, com o contacto entre o Velho e o Novo Mundo a produzir o chamado "intercâmbio colombiano" (Columbian Exchange), que envolveu a transferência de plantas, animais, alimentos e populações humanas (incluindo os escravos), doenças transmissíveis e culturas entre os hemisfério ocidental e oriental, num dos mais significativos eventos globais da ecologia, agricultura e cultura da história.


O Infante D. Henrique nasceu no Porto, numa quarta-feira de cinzas, dia que se considerava pouco propício ao nascimento de uma criança. Era o quinto filho do rei D. João I, fundador da Dinastia de Avis, e de Dona Filipa de Lencastre.

BRASÃO DO INFANTE 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Galeão português Santíssimo Sacramento




O Santíssimo Sacramento ou conhecido apenas por Sacramento foi um galeão português do século XVII que naufragou a 5 de Maio de 1668 nos baixios do rio Vermelho, em Salvador, da capitania da Bahia do Estado do Brasil.
Construído na cidade do Porto por Francisco Bento, em 1650 foi a nave da armada que tinha defendido a costa portuguesa dos piratas. Esteva artilhada com 60 canhões e guarnecida por 824 marinheiros e soldados. Logo na viagem inaugural, desbaratou três navios corsários de Dunquerque, que a tentaram atacar.
A embarcação zarpou do porto de Lisboa em Fevereiro de 1668, sob o comando de  Francisco Correia da Silva, com a escolta de uma frota de 50 embarcações armadas pela Companhia Geral de Comércio do Brasil.
Embora se desconheça o número de embarcados, que variam de 400 a 600 pessoas, repartidos entre tripulantes, soldados, passageiros, comerciantes e religiosos, as opiniões divergem.
A 5 de Maio, após uma viagem sem incidentes, o Sacramento chegou à vista do porto de Salvador, na Bahia, com tempestade. Ventos do quadrante Sul, de grande intensidade, impediam a entrada da frota na barra, levando a embarcação a colidir contra o banco de Santo António  a cerca de cinco metros da superfície, por volta das dezanove horas.
Apesar dos insistentes pedidos de socorro, disparando todas as suas peças de artilharia, o galeão permaneceu por quatro horas à deriva, acabando por naufragar.
Assim que foi informado do acidente, o governador da Capitania da Bahia,  Alexandre de Sousa Freire, mandou em auxílio todos os recursos e pessoas disponíveis na Ribeira, mas perante a intempérie e a distância, os socorros só chegaram ao local do naufrágio na alvorada do dia seguinte:
"Acharam feita em pedaços a nau, e grande número de corpos, uns ainda vivos, vagando pelos mares, outros jazendo já mortos nas areias (...), e só salvaram as vidas algumas pessoas, às quais se pôs em salvo a sua fortuna e a diligência dos pescadores daquelas praias (...), e algumas poucas que sobre as tábuas piedosamente despedaçadas no seu remédio se puseram em terra." (da História da América Portuguesa, 1730.)
Apenas se salvaram setenta pessoas. O corpo do comandante Correia da Silva, juntamente com as centenas de outros, acabou por dar à costa no dia seguinte.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

MAR TEMPESTUOSO

Como quando do mar tempestuoso
o marinheiro, lasso e trabalhado,
de um naufrágio cruel já salvo a nado,
só ouvir falar nele o faz medroso,

e jura que, em que veja bonançoso
o violento mar e sossegado,
não entre nele mais, mas vai, forçado
pelo muito interesse cobiçoso;

assi, Senhora, eu, que da tormenta
de vossa vista fujo, por salvar-me,
jurando de não mais em outra ver-me:

minha alma, que de vós nunca se ausenta,
dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me
donde fugi tão perto de perder-me.
Luís Vaz de Camões




domingo, 3 de abril de 2011

LATITUDE E LONGITUDE



Determinar a latitude é simples, basta medir o ângulo entre o horizonte e a Estrela Polar com ajuda de um quadrante,  astrolábio ou sextante, mas o cálculo da longitude sempre apresentou sérios problemas, principalmente no alto mar. O cálculo da longitude, em teoria, reduz-se a medir a diferença de tempo entre um ponto de referência e a posição actual do navio. A posição do Sol indica a hora local, mas a referência de tempo não poderia ser conhecida sem relógios suficientemente precisos, que só seriam construídas a partir dos séculos XVIII e XIX.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O OCEANO ATLÂNTICO



O oceano Atlântico é o segundo maior oceano em extensão, com uma área de aproximadamente 106.200.000 km², cerca de um quinto da superfície da Terra. É o oceano que separa a Europa e a África a Leste, da América, a Oeste. O seu nome deriva de Atlas que era filho de Gaia e de Urano, divindade da mitologia grega. É por isso que às vezes o oceano Atlântico é referido como "mar de Atlas". A menção mais antiga sobre o seu nome é encontrada nas Histórias, de Heródoto, por volta de 450 a.C. 


Antes de se descobrirem outros oceanos, o termo "oceano" foi sinónimo de todas as águas que circundam a Europa Ocidental que agora é conhecido como Atlântico e que os gregos acreditavam ser um grande rio que circundava toda a Terra.
O oceano Atlântico apresenta uma forma semelhante a uma letra S. Sendo uma divisão das águas marítimas terrestres, o Atlântico é ligado ao oceano Árctico que em algumas vezes é referido como sendo apenas um mar do Atlântico; a Norte, ao oceano Pacífico, a Sudoeste, e ao oceano Índico, a Sudeste, e ao oceano Antárctico, a Sul. Alternativamente, ao invés do oceano Atlântico ligar-se com o oceano Antárctico, pode-se estabelecer a Antárctida como limite sul do oceano, sob outro ponto de vista. A linha do Equador divide o oceano em Atlântico Norte e Atlântico Sul. Com um terço das águas oceânicas mundiais, o Atlântico inclui mares como o Mediterrâneo, o mar do Norte, o Báltico e o mar das Caraíbas.

quinta-feira, 31 de março de 2011

PORTUGAL UM PAÍS MARÍTIMO



Portugal faz fronteira com um único país vizinho: A Espanha num comprimento total de 1 214 km.
A costa portuguesa Atlântica é extensa: tem 1230 km em Portugal continental, 667 km nos Açores, 250 km na Madeira onde se incluem também as Ilhas Desertas, as Ilhas Selvagens e a Ilha de Porto Santo, num total de 2147 Km.
Com a formação de cordões litorais definiu-se uma laguna, vista como um dos elementos hidrográficos mais marcantes da costa portuguesa. Portugal possuiu uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, cobrindo cerca de 1 683 000 km².


IMAGEM DE SATÉLITE

sábado, 26 de março de 2011

A ILHA DOS AMORES




O mito da Ilha dos Amores é contado por Luís de Camões, nos Cantos IX e X d'Os Lusíadas. Nestes cantos, é relatada a vontade da deusa Vénus em premiar os heróis lusitanos, com um merecido descanso e com prazeres divinos, numa ilha paradisíaca, no meio do oceano, a Ilha dos Amores. Nessa ilha maravilhosa, os marinheiros portugueses podiam encontrar todas as delícias da Natureza e as sedutoras Nereidas, divindades das águas, irmãs de Tétis, com quem se podiam alegrar em jogos amorosos. 

Durante um banquete oferecido aos Portugueses, a ninfa Sirena canta as profecias sobre a gente lusa que incluem as suas glórias futuras no Oriente. Em seguida, Tétis, a principal das ninfas, conduz Vasco da Gama ao topo de um monte "alto e divino" e mostra-lhe, de acordo com a cosmografia geocêntrica de Ptolomeu, a "máquina do mundo", uma fábrica de cristal e ouro puro, à qual apenas os deuses tinham acesso, e que se tornou também num privilégio para os Portugueses. Tétis faz a descrição da máquina do mundo e prediz feitos valorosos, prémios e fama ao povo português. Depois do descanso merecido, os Portugueses partem da ilha e regressam a Lisboa.
O mito da Ilha dos Amores, narrado por Camões, é fruto da sua imaginação, quer povoada dos lugares maravilhosos onde as suas viagens o levaram, quer influenciada pelas míticas ilhas da literatura grega ou de outras lendas árabes e indianas. A moral pagã opõe-se aqui à moral cristã, da mesma forma que os novos ventos da mudança do renascimento de inspiração grega se opõem às limitações e ao pensamento medíocre da Inquisição.
Neste episódio simbólico da Ilha do Amores, Camões tenta imortalizar os heróis lusitanos que tão grandes façanhas fizeram em nome de Portugal.


                                                                              Ó que famintos beijos na floresta,
                                                                              E que mimoso choro que soava!
                                                                              Que afagos tão suaves, que ira honesta,
                                                                              Que em risinhos alegres se tornava!
                                                                              O que mais passam na manhã, e na sesta,
                                                                              Que Vênus com prazeres inflamava,
                                                                              Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
                                                                              Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
Camões declamou Os Lusíadas à inquisição que os aprovou...