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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A BATALHA NAVAL DA GUINÉ



A batalha naval da Guiné foi o choque naval entre a frota portuguesa e a frota castelhana no contexto da Guerra da Sucessão de Castela,  também conhecida por Guerra da Beltraneja, que teve lugar em 1478 perto de São Jorge da Mina, na costa atlântica da Guiné.
Os reis castelhanos, reis Católicos,  nome pelo qual ficou conhecido o casal composto pela rainha Isabel I de Castela e o rei Fernando II de Aragão. No começo de 1478, começaram a preparar no porto de Sanlúcar duas frotas: uma para comercializar e expulsar os portugueses de São Jorge da Mina, e outra que visava a conquista da ilha da Grande Canária.


Isabel I de Castela decretou que os navios da coroa de Castela teriam prioridade na venda dos produtos vindos da Guiné em relação a outros navios mercantes.
O príncipe João, futuro D. João II de Portugal, cognominado O Príncipe Perfeito pela forma como exerceu o poder, ciente dos planos castelhanos, preparou e organizou rapidamente uma frota de modo a surpreender os seus inimigos castelhanos nas Canárias. No entanto o envio desta mesma frota para o Golfo da Guiné era de momento impossível devido à falta de provisões para acudir a tão rápida organização da armada.  Rui de Pina diplomata português, nomeara Jorge Correa e Mem Palha os comandantes da frota, sendo esta responsabilidade repartida entre os dois.


As duas frotas castelhanas partiram juntas de Sanlúcar de Barrameda. Após terem feito uma paragem em Cádis, rumaram até à costa da Mauritânia onde chegaram a 4 de Maio, e de lá para a Grande Canária, onde atracaram num porto seguro e separaram-se depois de lá chegarem. Uma parte da expedição castelhana às Canárias com apenas 300 soldados desembarcou na Grande Canária. Aquando da chegada de uma embarcação enviada por Fernando II de Aragão com o aviso da eminência da chegada portuguesa, o grosso da frota castelhana com cerca de 1000 soldados retirou.


A frota castelhana com destino a São Jorge da Mina continuou a viagem unida, mas a que rumava com destino às Canárias devido a acção da frota portuguesa foi dispersada imediatamente. A chegada de uma esquadra naval de Portugal provocou a fuga do contingente castelhano nas Canárias, que por isso não conseguiu estabelecer-se efectivamente na ilha.


Os portugueses, entretanto, devido ao temporal, não foram capazes de desembarcar na Grande Canária pelo que decidiram regressar a Portugal, no entanto na viagem de regresso capturaram vários navios carregados com provisões castelhanas, e por isso mudaram de rumo dirigindo-se para a Guiné, onde seria previsível um desembarque castelhano.


A frota castelhana e outros navios mercantes chegaram a São Jorge da Mina – actual cidade de Elmina que se localiza no Gana, no golfo da Guiné - sem qualquer problema ou resistência por parte dos portugueses, arrecadando grandes quantidades de ouro e objectos diversos. No entanto, a ganância excessiva do representante comercial da coroa espanhola fez com que a frota castelhana ficasse por lá vários meses, o que a levou ao encontro com a frota portuguesa.


Os espanhóis, enfraquecidos por doenças tropicais e inactividade, foram atacados de surpresa, sendo derrotados, feitos prisioneiros e levados para Lisboa.
Graças ao ouro conseguido com esta vitória, o rei português Afonso V poderia relançar a guerra por terra contra Castela, onde, além de notícias sobre a derrota causou espanto e críticas do rei católico Fernando II de Aragão. Após o acordo de paz no ano seguinte, o resultado da batalha naval da Guiné foi, provavelmente, decisivo para Portugal para ganhar uma favorável divisão do Atlântico e a hegemonia do mesmo pelo tratado de Tordesilhas.

Pelo que vislumbra na história, a espionagem naquele tempo, entra os dois países era intensa e todas as decisões eram tomadas em consequência das informações prestadas por ambos os serviços secretos.   

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